segunda-feira, 4 de julho de 2016

FIM DE SEMANA DE MUITAS EMOÇÕES E APRENDIZAGEM!

FIM DE SEMANA DE MUITAS EMOÇÕES!

PALESTRA COM ARIEL PALACIOS

Todos os dias assisto o Jornal nas dez no Brasil. É pela participação do correspondente Ariel Palacios que acompanho as notícias da Argentina e da América Latina. Esse ritual me tornou fã deste profissional. No sábado de manhã tivemos a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente e ainda ouvir o que ele tem a dizer sobre jornalismo e a rotina de um correspondente.
Ariel Palacios nasceu na Argentina, mas foi criado no Brasil. O destino tratou de trazê-lo de volta para a terra natal. Já são mais de 20 anos mandando notícias da Argentina para o Brasil. Foram praticamente duas horas de conversa. Era pra ser uma entrevista conduzida pelo mediador, que depois abriria para perguntas do grupo. Porém a facilidade de se comunicar do nosso convidado fez com que ele dominasse. Mas isso não tirou o brilho do evento realizado na sala de reuniões do Hotel Dazzler Tower Maipu no centro de Buenos Aires onde estamos hospedados. O tempo limitado fez com que algumas dúvidas ficassem sem resposta. Mas em contrapartida tivemos uma ideia sobre os desafios de um correspondente. Ele trabalha sozinho. Acompanha tudo que sai na imprensa local, faz contato diário com as fontes e grava as participações para a Globo News no escritório dele. Quando há necessidade, contrata um cinegrafista para gravações externas. Foi o que aconteceu no terremoto do Chile. Logo que aconteceu ele ficou sabendo aqui na Argentina e já organizou a partida. Como os aeroportos estavam fechados, ele se uniu o outros jornalistas e alugaram um carro para chegar ao Chile. No local onde aconteceu o terremoto a situação era desoladora. Não tinha energia elétrica, nem água,  os telefones e internet não funcionavam e também não tinha comida. Imagina o que é cobrir uma situação destas sem comunicação. Dois dias depois começou a funcionar Whats App e ainda só a Argentina podia receber mensagens. As primeiras matérias para o Jornal foram escritas de forma fracionada para a esposa Miriam na Argentina e ela daqui repassavam para o Brasil. Um trabalho de formiguinha! Quem está em casa nunca imagina as dificuldades pelas quais passam os jornalistas ao cobrir situações como essa. Relatos como esse ajudam muito a nós jornalistas. Precisamos sempre pensar em um plano “B” para que consigamos superar obstáculos para cumprir o nosso ofício de informar!
Quanto às dúvidas que ficaram, Ariel gentilmente nos passou o e-mail e telefone. Alguns contatos já foram feitos e o retorno tem sido rápido!

VISITA À CASA ROSADA
Nas minhas vindas anteriores à Argentina, eu tinha me restringido a tirar uma foto em frente à casa Rosada, já que a visita tem que ser agendada com antecedência. E foi justamente este agendamento que atrasou a nossa visita. É que, apesar de a coordenação do curso ter feito o agendamento por e-mail, por um erro da segurança da casa os nossos nomes não estavam na lista de visitantes do dia (as visitas são limitadas). Explicamos que éramos brasileiros do curso Jornalismo sem Fronteiras e que só teríamos aquele dia para fazer a visita. Cecília, uma simpática argentina que não mediu esforços para nos atender, resolveu o nosso problema. Todavia teríamos que voltar às 14 horas. Como já era quase meio dia, procuramos um lugar para almoçar. O grupo se dividiu em dois restaurantes. Eu almocei no Gran Vitória que fica próximo à casa Rosada. Esta muito frio e chovendo. Sentar naquele ambiente quentinho e agradável era tudo que precisávamos naquele momento. Novamente o item “preço” foi um agente limitador. A opção mais em conta era um lanche e foi essa a escolha do grupo.
Bem alimentados voltados para a Casa Rosada. Cecília estava lá à nossa espera, e desta vez a conversa foi rápida. Entregamos  uma lista com nome e RG de todos e já fomos  conduzidos a nossa Guia. Silvina era outra argentina simpática e bem humorada que tornou a nossa visita muito divertida. Não faltaram brincadeiras sobre a nossa rivalidade no futebol. E ela fazia questão de nos lembrar do maldito 7 X1. E nós também não deixamos por menos ao lembra-la dos 23 anos de jejum de títulos da Argentina!  Brincadeiras à parte, a nossa guia  não economizou em informações e curiosidades do local de onde saem as decisões mais importantes do pais e que interferem diretamente na vida dos argentinos. Aprendi por exemplo a identificar quando o presidente está na Casa. Do lado de fora tem uma bandeira grande da Argentina e do lado de fora, quando Mauricio Macri está, tem uma bandeira pequena da Argentina ao lado. Cada pais tem seus rituais e seus costumes. Para um jornalista é muito importante ter conhecimento destes detalhes! Um dos locais visitados foi  sala onde são realizadas as coletivas de imprensa. Tem várias cadeiras voltadas para o local reservado às falas do presidente. A maior curiosidade está no teto. Há um lustre enorme onde que pesa uma tonelada e duzentos e cinquenta quilos!  (por segurança, não fiquei embaixo do lustre – vai que.. né!). Realmente é um lustre muito bonito mas se eu tivesse que cobrir uma coletiva ali, ficaria bem longe dele!  Também visitamos uma espécie de “galeria dos famosos”. É um corredor onde tem fotos dos ídolos mais populares da Argentina. Diego Maradona – o “Dieguito” que deu tantas alegrias no futebol, apesar das transgressões (era consumidor de cocaína) tem uma parede inteira só pra ele!
Outra sala interessante é a que era usada por Evita Peron. Tem uma escrivaninha, relativamente simples, comparado ao poder que esta mulher exerceu no pais, e ao lado alguns sofás e quadros de artistas famosos. Ao lado, fica a sala de reuniões usado pelo marido com um quadro muito significativo onde ela abraça o marido após o último discurso antes de morrer.
Até este ponto pudemos tirar fotos. À partir dali, fotos e imagens são proibidas. É que estávamos entrando na área oficial onde ficam os gabinetes do presidente Macri e da vice-presidente Gabriela Michetti. Por medida de segurança, ninguém pode registrar nada. O gabinete da vice-presidente tem uma mesa para pequenas reuniões e uma escrivaninha que do lado onde ela senta não tem cadeira porque ela é paraplégica.
Já gabinete do presidente é bem maior e mais bonito.
Visitamos ainda a área central um local considerado o pulmão da Casa por ser aberto e com muitas árvores, e por final a sala dos presidentes. Ali estão os bustos dos presidentes. Mas o curiosos é que nem todos os presidentes tem busto. É isso mesmo. Existem regras. O busto é colocado dois mandatos depois e quem dá palavra final e o presidente que está final é o quem está no poder. Achei muito estranho este critério, mas cada pais com suas esquisitices! O busto que achei mais curiosos foi o do ex-presidente Marcelo Alvear, que governou de 1922 à 1928. Ele é o único busto sem roupa, segundo a nossa guia, por exigência da sua esposa. Ele era muito apaixonado por uma cantora lírica e quando ela fazia show ele comprava todos os ingressos para assisti-la sozinho e ao final da apresentação repetia sempre a mesma proposta: “casa comigo”! Até que um dia ela não resistiu!  A Casa Rosada ainda tem duas escadaria, uma se chama França doado pelo governo daquele pais, onde tem uma quadro de tapeçaria com a imagem de uma homem à cavalo  (bem parecido com Napoleão) e a outra se chama Itália onde tem também uma obra doada por aquele pais.
Mas o local que eu mais gostei de visitar foi a varanda. Local onde os presidentes, ao longo da história se comunicaram diretamente com a população que ficaram em frente a Praça de maio. Muitas imagens desta varanda correram o mundo e agora estávamos ali de frente para a praça. Me coloquei na posição do governante falando ao povo. É como se a gente entrasse na história! Emocionante! Ainda bem que dali, podíamos tirar foto!
A visita durou pouco mais de uma hora e meia e foi uma aula de história da Argentina.

MESSI E GLOBO NEWS

Pela manhã o Ariel Palacios nos contou que haveria uma “bandeiraço”. Os torcedores e fãs de Messi iriam para a Praça da República onde fica o momento “Obelisco”, ponto tradicional de concentração para protestos e manifestações da Argentina, para pedir que o jogador Lionel Messi ficasse na seleção da Argentina. É que na última semana Messi, surpreendeu o mundo – e principalmente os argentinos – ao declarar que não jogaria mais pela seleção, depois da derrota da Argentina nos pênaltis para o Chile na final da Copa América. O atacante que já foi considerado cinco vezes o melhor do mundo era a esperança do pais para quebrar o jejum de 23 anos sem título!
Quando o assunto é futebol nem o vento e nem o frio de 10 graus intimidam os argentinos. Cerca de mil pessoas foram para a praça gritar aos quatro ventos “Messi fica”!
E nós não poderíamos perder essa. Lá fomos nós conferir de perto. Conversei com a Jack Moraes da equipe de organização do grupo e perguntei se ela topava gravar com o celular uma participação minha já que os colegas que iriam, tinham a missão de fazer o trabalho deles. A Jack respondeu: “demorou”....e foi dada a largada!
Conversei com a Globo News no Brasil e eles toparam uma participação minha. Saímos `a baixo de chuva forte na maior ansiedade de não perder nada. Eu estava me sentindo como se fosse a minha primeira participação na Globo News. Acho que fui contagiada pela energia dos recém formados... sensacional!
Chegando lá a chuva não deu trégua. Eu a Jack pedimos para um torcedor segurar o guarda chuva pra ela. Acho que ele achou estranho mas topou. Gravamos e corremos atrás de um restaurante com wifi. Ouvimos o início da gravação. Quando percebemos que estava tudo ok já enviamos o vídeo por whats App e ficamos aguardamos a resposta. Aí vai uma dica: confira todo o material de “cabo à rabo”. Nós não fizemos isso e lá no meio o áudio estava muito ruim! Voltamos para a praça e gravamos tudo de novo! Mas foi bom porque desta vez os outros integrantes do grupo estavam perto. A Fernanda segurou o guarda-chuva para a Jack e o Luiz deu dicas preciosas sobre o Messi. Agora sim, conferimos todo o material e corremos para o restaurante. Pedimos mais uma vez para o dono nos empresar o wifi. Com muita gentileza e nos autorizou. Desta dez deu certo e estava tudo ok! Voltamos para o hotel, todos molhados, direto para um banho quente e vitamina C. Tentamos baixar a adrenalina. Enquanto o Luiz e o grupo dele escreviam a matéria para mandar para o Brasil, os outros faziam contato com brasileiros para saber se a Globo News usou o material.
As imagens feitas pela Jack já tinham entrado, faltava agora o meu boletim. A previsão era entrar no Jornal das 10. Já eram quase 11 horas e nada. Mandei uma mensagem para a Olívia, produtora da GNews para saber se o editor tinha derrubado e ela respondeu “está no ar”. Logo começaram a chegar as fotos da tela da TV. Foi uma comemoração muito grande, emocionante para todos nós que mais tarde ainda vimos a matéria do grupo do Luiz publicada no Brasil!
Fazia tempo que eu não vivia uma adrenalina tão gostosa!
Fomos dormir com a sensação do dever cumprido!


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